sábado, 29 de julho de 2017

Quando estivermos prontos a vida chegará e nos levará para algum canto sem fim, alguma esquina sem nome, alguma avenida sem semáforo e sem faixa de pedestre.
O continuar cansa e desarma corações calados mas sofridos, escancarados pelos pontiagudos invernos da alma vencida,
Já não me entristeço, me entrego.
Já não tenho olhos, pois a visão ficou entorpecida.
Já não choro, apenas escorrem fios de saudades.
Porque passar pelo mesmo terminal ?
Esbarro no vai e vem daquela estação em Roma, ou será Cabrils ?
Talvez Grenoble, mas pode ser Firenze, ou qualquer pedaço de vida sonhado.
Retomar do ontem para chegar ao aqui,
Vida que respira,
Gislaine Zago

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Queria que esse frio que me corta por dentro se transformasse em um calor de amor, em um calor de paz, de sossego, de afeto.
Quantos caminhos a percorrer para que um alivio se encarregue de acalmar a alma, de aquietar esses nós que atravessam a vida e incomodam,
Onde será que se escondem esses dias de encontros, os momentos de olhares profundos, essas bocas que se juntam, essas palavras que não mais precisam se conter,
Um dia, uma hora,minutos, anos, meses, quem sabe...
Festejar os sabores, os toques, enxugar as lagrimas, calar a dor, respirar com tempo,
Olhei para fora e pude ver quem se foi, quem chegou , quem não pode estar, o que se partiu, o que se perdeu, as escolhas que não foram corretas, os deslizes infelizes, e o amor rompido
Partiu sem falar nada, levou na bagagem apenas a lembrança de um amor adolescente que não pode ser refeito na maturidade, partiu para um amor errado, para uma decisão surtada,
Ficou a historia de sempre, aquele canto de sempre, aquela vida de sempre, e aquelas fotos que serão guardadas em um baú de recordações,
Quem sabe será possível outro canto, outro beijo, outro café, outro cinema, outro desejo.
Quem sabe serei com alguém outro encontro de amor, de afeto, de sentimentos.
Quem sabe.
Diante da vida, suspirei alto e com olhos profundos te busquei. Nada existia,
O ar pesado e frio me fez contemplar a escuridão que chegava não sei de onde e permanecia nas escadas longas da casa antiga.
Busquei na memoria, imagens do tempo em que podia olhar a paisagem de outros mundos, de outras línguas, de outros sentimentos, derramados imensos e lentamente na retina do amor,
Reconduzida para as montanhas, vales e mares, parte em cacos a historia existida.
Onde foi que nos perdemos ? Onde deixamos a sinceridade, a certeza do dia, os olhos iluminados e o sorriso aberto ?
Percorro na memória, ruas estreitas da minha velha e amada Barcelona.
Caminho por entre mulheres e homens elegantes na romântica e maravilhosa Paris.
Me emociono com cada esquina da minha Itália, onde minhas células pairam no ar e minha voz tem lugar.
Sento-me em um café de Veneza, e deixo que os pensamentos caminhem pelo Grande Canal, entrecortado de barcos e enamorados.
E lá, daquele solarium da Toscana, uma sensação de que nada tem fim, de que nada acaba, que tudo surge e permanece no verde e imenso campo,
Me reconheço , nas cores, nas ruas, nas artes, na fala do garçon, na avenida movimentada e louca desta Roma controversa e bela.
As canções falam de amor, a vida perpassa a solidão, e o choro no café do ultimo andar do El Corte Inglês, traz a menina perdida e desamparada, que ali busca sua identidade própria, suas raízes, seu lugar na vida.
Vielas, gente que conta casos, praças que trazem historia,
O porto que já foi velho e mundano, hoje mostra vida nova e gente do bem,
Nesta viagem, me ocupo de restaurar como uma pintura antiga, meu mundo interno, repleto de desejos, sonhos, amanheceres, anoiteceres, e lindos bailados.
Tento juntar as peças, os desenhos, e formar de novo a vida que segue sem pedir licença;
Gislaine Zago 2013

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Onde vai minha alma?
Buscar a tua que ainda vagueia no amor perdido.
Te busco porque te quero mesmo com a dor que habita o corpo e estampa em seus olhos a tristeza da ausência.
Escuto através do vento que meu afeto pode sarar tuas feridas e juntar sua vida dentro do amor.
Sinto no passar da brisa suave a verdade dos teus sonhos e a certeza de recomeçar.
Encontro- me aqui, a te escrever palavras soltas, com um calor que afaga o meu ser e que encaminho para você.
Cuido do seu coração porque sei que nele mora a fonte da docilidade e da generosidade.
Encontre- me em ti.
Gislaine Zago
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