Não fazíamos uma volta para dentro de nós tem muito tempo,
Não revisitávamos nossos sonhos, desejos, fantasmas, dores, limitações, tem muito tempo
Não lembrávamos mais do que tínhamos medo, do que tínhamos saudade, do que tínhamos resistência
Não sabíamos mais como era o apelido daquele nosso amigo da escola, como era a musica que tocava naquele baile de antes, como foi o primeiro amor, o primeiro fora, o significado da palavra amor
Não tínhamos mais tempo para os amigos, para a família, para as conversas amenas, para os cafés sem hora para acabar
Então, vem a necessidade de estarmos sós, uma ordem mundial, um grito de socorro dado aos 4 ventos, um chamado para o amor
Será que sabemos como lidar com tudo isso, que a vida nos apresenta? o que fazer com o que já não estava mais em nossas rotinas ? a quietude de dentro e de fora, o filho em casa, o moço bonito tão longe e agora distante psiquicamente também,
Arrumar a casa, arrumar o mundo interno, arrumar os sentimentos que insistem em não ir embora
Perguntas se soltam no espaço e muitas não tem respostas, só interrogações, só o vazio, só o que nada ficou
Que hora delicada para brincar de não sentir, a falta do toque, do beijo, do abraço que abraça, da voz que te chama, do café compartilhado, da porta que se abre para o encontro;
Que hora delicada para você ir embora, para não trazer um pouco da sua serenidade, abarrotada de carinho
Que hora é essa, tão diferente de tudo que já existiu,
Que hora é essa , que você escolheu para se retirar
Mas, tudo passa, tudo muda, tudo se resignifica, tudo é apenas agora
Gislaine Zago