domingo, 12 de março de 2017

Neste mesmo domingo teimoso, sonolento, quente demais, faço um tour pelos cantos de mim mesma, tentando achar alguns, pra quês da vida,
Difícil encontrar, mesmo que se queira esmiuçar cada pedaço do que se é, cada canto da alma, o caminho se rompe as vezes.
Tento lembrar cada nome, cada encontro, cada palavra dita e não dita, busco lugares, momentos, onde foi que tudo se perdeu.
Apenas consigo tocar no que me cabe, naquilo que foi de mim, de dentro do meu ser.
O que o outro fez, ou melhor, deixou de fazer, não me compete entender, não existem palavras que expressem, as trilhas desenhadas foram desfeitas pelo tempo,
Cada certeza se tornou nada, ficaram apenas letras soltas no ar.
E daí, o coração aperta, e dá uma saudade louca de um abraço, de um sorriso, de um simples e leve, olá.
Todas as gotas de chuva permeiam um lugar só seu, da sua única e infinita privacidade, da sua psique
Nada que não possa ser acessada com um simples clik das teclas.
Então, já foi,
Gislaine Zago,
Um domingo manhoso, quente, difícil de ser digerido, inundando a mente de memorias afetivas, saudades, e lonjuras.
Resolvo então, tirar as fotos antigas de dentro do armário e as coloco em cima da cama para tentar me nutrir do que há muito ficou afeto.
Viajo através de Roma, Barcelona, Costa Brava, Firenze, Citadella, me vejo sorrindo com amigos que permanecem, que se foram, que o tempo afastou, que a vida se incumbiu de colocar nos lugares.
Uma praia de pedras, obras de artes, belos e saborosos cafés, uma chuva fria, um calor imenso, ventos que desmanchavam os cabelos e os lenços sempre amarrados no corpo.
Passeios de gondola, de trem, de ônibus, acordar de madrugada na estrada e se deparar com um lindo, magico e iluminado castelo. Sabores que nada podem retirar de mim,
O cheiro da historia, o palpitar do coração onde uma célula minha se encontra, um suspirar de saudades dos que já se foram, um olhar atento ao que pode ser um pedaço da família,
Brincar de ser pertencente, onde se é estrangeiro, tentar olhar com olhos do lugar, sentir com a mesma intensidade, captar o que de longe se torna perto,
Então, me sento com uma xícara de café, e continuo sorrir para o sonho realizado, respiro cada aroma das ruas da velha e bela Paris, me encanto novamente com o passeio de barco no lago de Annecy, com as montanhas geladas de Chamonix que contrastam com um céu azul intenso e um sol que queima a pele de felicidade,
Posso tocar nas esquinas da eterna Roma, com seu transito maluco e suas ruas tortuosas.
Viajo pela Toscana e me encontro em um vilarejo silencioso, mas com uma vista que se torna uma pintura,
Encontro minha identidade em uma fonte existente na entrada da cidade e entendo que ali pisaram pessoas que me chamam de vida.
Acabo meu café, olho para fora e penso no privilegio de poder andar por tantas lembranças, que hoje tem um lugar marcado e situado em mim,
Mais um domingo se foi,
Gislaine Zago,