Uma folha em branco, uma dissertação as ser corrigida, um sonho adiado.
Um vazio que não se acalma, uma sensação de não pertencer que faz eco no sótão da alma.
Há tempos não me sentia assim, como alguem que ficou sem rumo, onde nada faz sentido.
Olhando para o de dentro de mim, percebo lugares distantes, sonhos amanhecidos, como os da padaria da esquina, que por sinal, não existe mais.
Ao longe, olhares que aqueciam o coração, palavras gentis, abraços de aconchego, colo eu acolhia o que nem se sabia.
Tinham salas enormes, cadeiras na varanda, cafés quentinhos que por vezes chegavam com um beijo doce.
Ruas que traziam memorias, onde cada passo fazia tilintar uma historia de antes, de agora e de talvez.
Como a vida se move rapidamente dentro e fora de nós, somos instantes, somos fulgazes e passageiros, neste caos da vida.
Acordar e tentar entender quais foram as escolhas, e porque foram deixadas irem embora.
Os olhos marejam, tem a vontade de chorar, tem o nó da saudade, como quando temos um aniversario secreto do coração.
Hoje de secreto só tenho um amor, que não sabe de mim, que não sei dele, que não tem forma e nem cor.
O dia está cinza, tem frio, tem o desanimo de agora, tem um não sei que de nada.
Por isso me sento e escrevo, não a dissertação, mas o que vai nesta minha vida, que já percorreu tantos lugares e hoje não quer mais sair.
Um dia, uma noite, uma falta de alguma coisa diferente e que pudesse me abrir um sorriso.
Dia de nada,
Gislaine Zago