domingo, 4 de dezembro de 2022

 Este ano não tem arvore de Natal, não tem o brilho das luzes na janela e nem procurar os melhores enfeites.

Tem um vazio na casa, no canto do Papai Noel, nos presentes aos pés da arvore.

Não vai ter cheiro de assados e nem de doce de figo, não vai ter o pavê de amendoim que o neto mais novo gosta e nem o manjar branco que o neto mais velho adora.

Não teremos o corre corre das idas ao supermercado, a escolha da toalha da familia, esperar meia noite para rezar , trocar presentes e só aí, a ceia.

Este ano faltará mais um lugar no coração e na mesa, e esse lugar junto dos outros dói muito, quebra as tradições de tantos e tantos anos.

Mas, não consigo refazer a noite de natal e o almoço do dia 25. Dias que sempre reuniram a familia, onde contávamos as historias antigas e ríamos muito.

Era o momento de união, de amor, de saudade e de sustentar as raízes tão fortes e sólidas.

Um Natal sem os pais, é como um Natal sem Natal, apenas uma data a mais no calendário.

As crianças se tornaram adultos, e nem mesmo a magia do trenó e das renas no céu acontecem.

A casa que antes acolhia a todos, e nem mesmo fechava a porta, hoje dorme calada e solitária.

Voces fazem falta em toda a magia e a esperança do Menino Jesus. 

Um Natal apenas de olhar para o céu e tentar encontra-los na estrela mais brilhante.

Já é quase Natal

Gislaine Zago


domingo, 9 de outubro de 2022

 18 h, hora da Ave Maria, como diria minha avó.

Hora do entardecer, de bater uma tristeza não se sabe de onde, uma angustia que chega e permanece.

Aquela hora que a vida passa como um filme, as lembranças desde a infância, a casa da praça, os vizinhos, as brincadeiras, as reuniões de família.

É a hora que se lembra da vitrola da sala, das musicas preferidas do pai, as conversas na cozinha, o telefone que não parava de tocar.

Hora da Ave Maria, quando o sol se põe, quando a saudade fica insuportável e nos sentimos longe do que um dia se chamou família.

A casa que a porta não fechava porque sempre tinha alguém chegando ou saindo, o grito do carteiro, o cheiro do doce de figo no natal, do bolinho de carne, único e insubstituível, as risadas que vinham de algum canto.

Hora da Ave Maria, que traz os avós, os tios, os primos, os pais, os irmãos, aqueles vizinhos que eram mais que parentes, que nos faziam sentir vivos e cheios de sonhos e esperanças.

Só fica a hora, tudo mais desaparece como a bruma , como  a fumaça que se dissipa no ar.

Hora da Ave Maria, a hora da saudade do mundo que não existe mais, apenas na nossa memoria afetiva.

Lonjuras.

Gislaine Zago

domingo, 11 de setembro de 2022

 Como saber por onde andar, com que cara olhar para o que já não é.

Nem sei mais olhar no espelho e me reconhecer, uma mulher, uma menina, uma pessoa, ou apenas alguem.

Dói cada partida, cada sonho destruido, cada sorriso roubado, cada lagrima derrubada.

Tem saudades, tem o gosto do beijo partido, tem as mãos distantes, tem ninguém a esperar na porta.

Teve passeios, teve praia, teve montanha, almocinhos recheados de papos e prosas, de mãos dadas, de sonhos sonhados juntos.

Teve café com vontade de quero mais, o caminhar pelo rio, o por do sol, o vento a bater no rosto, as musicas de preferencia.

Hoje tem o vazio, o olhar através do nada, o falar para o que não existe mais, o sonhar que derrapou na primeira dificuldade, e assim rompeu o aguardado.

Dias longos e tristes fazem parte deste momento, um cada dia sem carinho, sem ter com quem dividir as historias, as angustias, as ansiedades que hoje são meu cotidiano.

Cansei de não ter objetivos, de não saber refazer o caminho, de não almejar um encontro, fechei a porta do querer.

Uma vida que não foi escolhida, foi imposta, foi colocada sem que eu pudesse pensar sobre, que se pudesse trocar um olhar para descobrir se valeria a pena.

Me sinto prisioneira de algum canto onde não caibo, onde não é meu lugar, que me amarra as mão e o sorriso, que tolhe meus pensamentos, e não me deixa querer. 

Esta não sou eu, venho de caminhos livres, de rodopios ao vento, de dançar na rua.

Venho de um espirito solto, que ama amar.

Quero minha vida de volta.

Gislaine Zago

sexta-feira, 17 de junho de 2022

 Tem um choro retido na garganta pelas interpéries da vida, do tempo, da idade que chega, da solidão que persegue, do afeto que se esvai.

Te um não se de que desesperança que o vento insiste em colocar  em mim, por mim e sem mim.

Tem um vazio que percorre rios e mares, estradas tortuosas, casas e sotãos.

Tem um ninguém que caminha para longe, que permitiu a partida, que alentou o vazio e escapou por entre idas e vindas.

Cada pedaço do tempo, leva o que não foi meu, desfaz o não feito, impede o prosseguir 

São tantas barreiras na vida, que fica por  vezes intransponível ter sonhos, prender o que se imaginou ser simples.

Não tenho como responder as questões ou perguntas, não tenho como combater um combate insano, dolorido, sufocante.

A vida que não é justa e tem que seguir por caminhos tortuosos, sem sorrisos, sem perdão, sem mãos estendidas.

Corro para o tempo de antes, que deixou em mim a menina alegre, a bailarina na ponta dos pés, o rodopiar  suave de um gosto de quero mais. Uma menina doce, uma menina que só queria ganhar o mundo, mas não sabia que seria sofrido. Talvez essa menina não tenha feito boas escolhas, não tenha parado na soleira da porta da casa da praça, para pensar o trajeto.

Apenas foi.

Este foi, trouxe danos, causou sofrimentos e muitas perdas. Hoje tem saudades, lonjuras, muita lonjura, do pai, do amigo, da amiga-irmã, da mesa cheia de gente, da casa que não fechava a porta, dos olhares profundos e ternos.

Hoje tem a vontade de sentar no portão e esperar o carteiro passar e entregar a carta, conversar com a vizinha, brincar na rua, namorar na praça.

Hoje, quando o peito está a explodir de dor, tem a vontade do baile do clube, da festa de 15 anos , da paquera no bar do edifício. Carregar a vida, não tem sido fácil, e fazer isso sozinha pesa mais ainda . Difícil quem possa compartilhar do que cabe em nós. Difícil olhos nos olhos, nenhum receio, nenhum medo de ser um com o outro.

Vida que não segue. Estanca 

Gislaine Zago

quinta-feira, 12 de maio de 2022

 Uma folha em branco, uma dissertação as ser corrigida, um sonho adiado.

Um vazio que não se acalma, uma sensação de não pertencer que faz eco no sótão da alma.

Há tempos não me sentia assim, como alguem que ficou sem rumo, onde nada faz sentido.

Olhando para o de dentro de mim, percebo lugares distantes, sonhos amanhecidos, como os da padaria da esquina, que por sinal, não existe mais.

Ao longe, olhares que aqueciam o coração, palavras gentis, abraços de aconchego, colo eu acolhia o que nem se sabia.

Tinham salas enormes, cadeiras na varanda, cafés quentinhos que por vezes chegavam com um beijo doce.

Ruas que traziam memorias, onde cada passo fazia tilintar uma historia de antes, de agora e de talvez.

Como a vida se move rapidamente dentro e fora de nós, somos instantes, somos fulgazes e passageiros, neste caos da vida.

Acordar e tentar entender quais foram as escolhas, e porque foram deixadas irem embora.

Os olhos marejam, tem a vontade de chorar, tem o nó da saudade, como quando temos um aniversario secreto do coração.

Hoje de secreto só tenho um amor, que não sabe de mim, que não sei dele, que não tem forma e nem cor.

O dia está cinza, tem frio, tem o desanimo de agora, tem um não sei que de nada.

Por isso me sento e escrevo, não a dissertação, mas o que vai nesta minha vida, que já percorreu tantos lugares e hoje não quer mais sair.

Um dia, uma noite, uma falta de alguma coisa diferente e que pudesse me abrir um sorriso.

Dia de nada,

Gislaine Zago

quinta-feira, 10 de março de 2022

 Ser mulher é olhar para a alma todos os dias.

É respirar fundo e seguir em frente.

É superar medos, atravessar impossibilidades.

Ser mulher é dançar vestida de fada, jogar futebol com o uniforme de outro time que não o seu.

Ser mulher é rir do absurdo, chorar escondido, mas marcar o ponto decisivo no jogo da vida. 

Ser mulher é arriscar, saltar fora, se retirar, agarrar a chance , relevar as dores de amores.

Ser mulher é não olhar para trás, é sempre acreditar em si e não permitir que derrubem nossos sonhos. 

Ser mulher é ser inteira, é orar pelos filhos, é brigar pela sua valorização, é dar colo a quem precisa. 

Ser mulher é fazer desse mundo o que ela bem quiser. 

Gislaine Zago

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

 Vivi por tantas estradas , por tantos caminhos destinados em mim e por mim.

Nada será levado do que senti, respirei, amei, sorri e de um momento a outro desisti.

Vou indo por entre sóis e luas, mares e montanhas, para apenas um sinal de vida.

Guardo segredos e mistérios de onde retiro minhas forças para o que é hoje.

Apenas pergunto os porquês de tanta vida extravasada, de tantos carinhos descartados e tantos sonhos frustrados.

Venho de um lugar tão meu, de um vasto e imenso olhar para além do arco íris que desponta ao longe.

Cadê todo mundo? Cadê você? Onde?

Não sei se rio ou se apenas me calo diante deste momento.

Corro ou estanco? Não sei, alias, quem sabe?

Nada em tão pouco tempo,

Gislaine Zago