Como saber por onde andar, com que cara olhar para o que já não é.
Nem sei mais olhar no espelho e me reconhecer, uma mulher, uma menina, uma pessoa, ou apenas alguem.
Dói cada partida, cada sonho destruido, cada sorriso roubado, cada lagrima derrubada.
Tem saudades, tem o gosto do beijo partido, tem as mãos distantes, tem ninguém a esperar na porta.
Teve passeios, teve praia, teve montanha, almocinhos recheados de papos e prosas, de mãos dadas, de sonhos sonhados juntos.
Teve café com vontade de quero mais, o caminhar pelo rio, o por do sol, o vento a bater no rosto, as musicas de preferencia.
Hoje tem o vazio, o olhar através do nada, o falar para o que não existe mais, o sonhar que derrapou na primeira dificuldade, e assim rompeu o aguardado.
Dias longos e tristes fazem parte deste momento, um cada dia sem carinho, sem ter com quem dividir as historias, as angustias, as ansiedades que hoje são meu cotidiano.
Cansei de não ter objetivos, de não saber refazer o caminho, de não almejar um encontro, fechei a porta do querer.
Uma vida que não foi escolhida, foi imposta, foi colocada sem que eu pudesse pensar sobre, que se pudesse trocar um olhar para descobrir se valeria a pena.
Me sinto prisioneira de algum canto onde não caibo, onde não é meu lugar, que me amarra as mão e o sorriso, que tolhe meus pensamentos, e não me deixa querer.
Esta não sou eu, venho de caminhos livres, de rodopios ao vento, de dançar na rua.
Venho de um espirito solto, que ama amar.
Quero minha vida de volta.
Gislaine Zago
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