sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Não tenho certeza do que ainda faço aqui, porque continuo a pensar no que é possível, pensar que você ainda pode me querer, que ainda sou lembrada, amada ou respeitada.

Tenho filho criado, formado, sem necessidade de minha presença por perto

Tenho nada no banco, nenhuma casa própria, nenhum carro, nenhum deixar pra lá

Amores, se foram todos, não ficou em nenhum deles, o carinho, o desejo de bem querer, os sonhos sonhados juntos, as palavras tão docemente faladas.

Nem sei se tenho alguém que ainda se lembre do que ensinei, do que orientei, de quantas vezes peguei pelas mãos para mostrar como cuidar do outro.

Tudo passa, e meu tempo também passou, os amigos de ontem e de hoje, todos percorrem seus caminhos junto de seus amados. 

Ninguém que precise de mim, ninguém que necessite de um mínimo do que ainda existe no meu interior.

Somos passageiros, e passageiros rápidos em estradas curtas,

Nada que nos mostre que ainda somos ou seremos

Posso ir, sem nada ter como referencia ou saudade

Posso ir porque nada ficou neste tempo de viver

Quanto nos mostram que nada precisa de nós, que nada é o que um dia se mostrou ser

Ficam apenas os anéis, as pulseiras, os livros tão manuseados, tão estudados e que com certeza não servirão a mais ninguém, 

Uma despedida? Pode se dizer que sim

Uma despedida de mim mesma, uma despedida de quem ainda ate a pouco acreditava no amor, na memoria afetiva, na gratidão, nas lembranças desenhadas na retina postadas na areia da praia,

Vou até algum lugar onde possa sarar as dores, dos amores, da profissão, dos amigos, enfim de todos que circularam pela minha trajetória, 

Mas, tenho a certeza que nada deixei....

Gislaine Zago

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

 Sabe lá onde foi parar toda a certeza que sempre existiu em mim, deve ter se perdido no tempo das asperezas da vida, nos asfaltos rachados com o tempo, nas areias finas das praias por onde andei desde a infancia.

Sempre existe aquele momento peculiar de se avaliar o quanto a vida tem nos presenteado e o quanto tem nos tirado, as vezes não sabemos muito como avaliar esses dois sentimentos, mas seguimos por onde achamos que vale a pena ou que poderiamos encontrar um fio de agua limpida e transparente que possa matar a sede de bem querer.

Tenho guardado nas memorias afetivas, tantas brincadeiras , tantos mares, cachoeiras, estradinhas de terra, céus cortados pelos aviões que me levaram tão longe, rios que corriam com o pensamento, as durezas das pedras no chão que percorri.

Ainda ouço o canto do passaro preto, do sabiá amarelinho, do cachorro da familia, do barulho que vinha da casa vizinha, do cheiro do churrasco do bar da rua, e outras tantas delicias que percorrem ainda minha vida.

Transpasso a hora e o lugar, carrego o chacoalhar do onibus, do trem, do balanço do quintal, da pulseira ganho da madrinha.

Cabe dentro de mim um coração, uma alma, um passado, um presente atropelado, um futuro sem futuro.

Datas de aniversario deveriam não mais existir, nem mesmo aquelas que sempre foram importantes, nem mesmo as datas festivas, não carregam mais as emoções de um outro dia.

Procuro respirar alto e forte e esperar que esta espera se vá assim como ar que sopra.

Gislaine Zago


 ando cansada de nada, de um vazio que circula entre o caos e a incerteza, e com isso vou demorando a entregar os anseios e desejos para quem um dia comigo esteve.

Tem dias de solidão e frio na alma

tem dias de choro solto e dor que não se sabe de onde veio e nem maesmo para onde vai

tem dias de angustia que prende o coração com algemas do que não foi correspondido e nunca será.

tem dias de saudade da vida, dos natais, da não difculdade, das mãos estendidas, dos sorrisos abertos, dos abraços apertados, 

tem dias de vontade de sair por ai sem nada buscar e sem nada esperar.

tem dias de absoluto cansaço, de nenhum reconhecimento, de mãos vazias e labios cerrados

tem dias de não saber orar, não acreditar, de não dobrar os joelhos para nada e ninguem

tem dias de querer ficar quieta, no recolhimento do quarto, sem voz nenhima, sem interfone tocando, sem celular aguardando.

tem dias que o dia não precisaria existir

Gislaine Zago

sábado, 4 de dezembro de 2021


É  um tempo de sentimentos distantes, de amores desfeitos, de verdades , de sentimentos, de luzes com cara de  fim do tunel.
Cada detalhe faz lembrar um dia que se foi, cada enfeite mostra o que não volta mais, ja tive uma casa decorada com vontade, com carinho, com os sonhos que nunca acabavam.
Já teve papai noel chegando no céu, já teve o sino da rena ressoando no espaço, já teve a leveza da vida.
Voce se foi, a casa decorada não acorda mais com o barulho do trenó, a esperança não espera mais na arvore enfeitada.
De dentro de mim as incertezas, as angustias, a tristeza que chega sem pedir licença, os sonhos que naõ sonham, o coração que não bate forte.
A alegria deveria estar dentro do presente embrulhado com fitas e laços, mas ela se perdeu pelo caminho entrecortado de impossibilidades apresentadas por pessoas que não se importam.
Brindo o que me é mais querido, meu filho, a saude e a familia.
Já não quero mais resignificar a vida, ela passou muito rapido e me causou a exaustão de lutar e lutar e lutar.
Perdi mais que ganhei, a insonia é maior que o sono tranquilo e suave de quem tem ao seu lado um porto seguro, um abraço apertado, um sorriso de bom dia.
Vivi o que mais pecisei, abandonei os passos pelas ruas desertas e vazias de amor.
Nada seria mais afortunado que ter os olhos dele pousados nos meus no tempo da delicadeza, como já disse o poeta.
O tempo que levou com o vento seus encantos, seus desejos atrelados aos meus, seus anseios da vida que me carregavam junto, um dia a cada dia, 
Hoje, sou aquela que junta os pedacinhos de cada vida, de cada suspiro, de cada minuto de mãos dadas, daquele canto do café, da musica que não tinha hora, dos filmes e comidinhas preparadas com sabor de quero mais.
Vida que estagnou, que não tem projetos, que não passa mais para amanha
Quero apenas não pensar, quero apenas dormir um sono que não me deixe sonhar, quero apenas um milagre de natal.