Sabe lá onde foi parar toda a certeza que sempre existiu em mim, deve ter se perdido no tempo das asperezas da vida, nos asfaltos rachados com o tempo, nas areias finas das praias por onde andei desde a infancia.
Sempre existe aquele momento peculiar de se avaliar o quanto a vida tem nos presenteado e o quanto tem nos tirado, as vezes não sabemos muito como avaliar esses dois sentimentos, mas seguimos por onde achamos que vale a pena ou que poderiamos encontrar um fio de agua limpida e transparente que possa matar a sede de bem querer.
Tenho guardado nas memorias afetivas, tantas brincadeiras , tantos mares, cachoeiras, estradinhas de terra, céus cortados pelos aviões que me levaram tão longe, rios que corriam com o pensamento, as durezas das pedras no chão que percorri.
Ainda ouço o canto do passaro preto, do sabiá amarelinho, do cachorro da familia, do barulho que vinha da casa vizinha, do cheiro do churrasco do bar da rua, e outras tantas delicias que percorrem ainda minha vida.
Transpasso a hora e o lugar, carrego o chacoalhar do onibus, do trem, do balanço do quintal, da pulseira ganho da madrinha.
Cabe dentro de mim um coração, uma alma, um passado, um presente atropelado, um futuro sem futuro.
Datas de aniversario deveriam não mais existir, nem mesmo aquelas que sempre foram importantes, nem mesmo as datas festivas, não carregam mais as emoções de um outro dia.
Procuro respirar alto e forte e esperar que esta espera se vá assim como ar que sopra.
Gislaine Zago
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