sábado, 31 de março de 2018

Mesmo tendo em mim todos os sentimentos intensos por ele, a sua previsibilidade me assusta por vezes.
E, por esta vez, passaram muitas perguntas, muitas noites sem dormir, muitas lagrimas surgindo da alma, muitos caminhos percorridos a sós.
Ele é a resposta das minhas orações, é a docilidade, é a gentileza, é a cultura, a forma de olhar, a historia de juventude.
Mas, também é a distancia, o silencio, o amor por outros caminhos, os projetos solitários, e o calar as dores.
Ele caminha por entre sonhos e desejos e só inclui quem imagina que possa ir junto, sem perguntar, apenas imaginando.
Se esquece que o que vale no caminho é a parceria, o acolhimento, o não se importar se é mais difícil, apenas estar junto.
Busca o igual sem saber que na verdade tem mais no coração do que pensa, tem mais solidão do que cabe dentro dele, tem mais teimosia que uma criança pequena.
Sei que não tenho em mim algumas de suas exigências, mas tenho todo o amor e aconchego que possa precisar, e, isso vale todas as viagens, todas as mudanças, toda estabilidade, toda cultura e beleza física.
Um dia, algum dia, talvez ele possa sentir o que estou dizendo, mas pode ser que não de mais tempo para que a resposta das minha orações se cumpram.
Não quero nada dele, alem de seu amor , seu carinho e sua companhia.
E dele não mais espero, sigo o que tenho para mim, minhas lutas e desafios, porque assim tem que ser,
Tenho pena de lindos sentimentos terminarem a beira de um nada,
Gislaine Zago,

terça-feira, 27 de março de 2018

No momento que o pensamento se volta para o amor que fechou a porta, perguntas pipocam por entre neurônios e sinapses.
O que foi feito do afeto? Onde foi colocada a vontade de estar junto ? Onde os telefonemas a qualquer hora ? Onde o olhar que fazia aquecer a alma?
Ele resolveu pelos dois. Ele decidiu o que melhor lhe convinha.
Sem chances de conversas, papos ou prosas.
Sem nenhum sinal de rompimento,
Apenas o silencio.
E, disto tudo fica preso na retina, os cuidados, os presentes, as mãos dadas, os beijos, o acolhimento, o contar os segredos e as dificuldades.
O falar sobre a solidão, sobre projetos, sobre os filhos que se foram viver suas vidas.
Onde colocar o amor? onde colocar a saudade? onde colocar a vontade de te ver ?
Onde colocar cada lembrança que insiste em aparecer a cada passo que dou por lugares que estive com você ?
Ele fechou a porta, trancou as janelas, colocou cadeados nos portões da vida.
Transformou em vazio o que era preenchido de amor, de carinho e de toques.
O vazio, o silencio, o não saber, por que, pra que, e de que,
A música que não tem mais sentido, nem direção. Busco a foto que ainda me traz algo de sua presença e apenas sinto o cheiro, o sabor, do que resta na memoria afetiva.
Aquele canto, aquele sofá, aquela cadeira, aquela docilidade e o vazio.
Retirou-se sorrateiramente e deixou apenas a memoria da pele marcada.
Gislaine Zago.