terça-feira, 27 de março de 2018

No momento que o pensamento se volta para o amor que fechou a porta, perguntas pipocam por entre neurônios e sinapses.
O que foi feito do afeto? Onde foi colocada a vontade de estar junto ? Onde os telefonemas a qualquer hora ? Onde o olhar que fazia aquecer a alma?
Ele resolveu pelos dois. Ele decidiu o que melhor lhe convinha.
Sem chances de conversas, papos ou prosas.
Sem nenhum sinal de rompimento,
Apenas o silencio.
E, disto tudo fica preso na retina, os cuidados, os presentes, as mãos dadas, os beijos, o acolhimento, o contar os segredos e as dificuldades.
O falar sobre a solidão, sobre projetos, sobre os filhos que se foram viver suas vidas.
Onde colocar o amor? onde colocar a saudade? onde colocar a vontade de te ver ?
Onde colocar cada lembrança que insiste em aparecer a cada passo que dou por lugares que estive com você ?
Ele fechou a porta, trancou as janelas, colocou cadeados nos portões da vida.
Transformou em vazio o que era preenchido de amor, de carinho e de toques.
O vazio, o silencio, o não saber, por que, pra que, e de que,
A música que não tem mais sentido, nem direção. Busco a foto que ainda me traz algo de sua presença e apenas sinto o cheiro, o sabor, do que resta na memoria afetiva.
Aquele canto, aquele sofá, aquela cadeira, aquela docilidade e o vazio.
Retirou-se sorrateiramente e deixou apenas a memoria da pele marcada.
Gislaine Zago.

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