18 h, hora da Ave Maria, como diria minha avó.
Hora do entardecer, de bater uma tristeza não se sabe de onde, uma angustia que chega e permanece.
Aquela hora que a vida passa como um filme, as lembranças desde a infância, a casa da praça, os vizinhos, as brincadeiras, as reuniões de família.
É a hora que se lembra da vitrola da sala, das musicas preferidas do pai, as conversas na cozinha, o telefone que não parava de tocar.
Hora da Ave Maria, quando o sol se põe, quando a saudade fica insuportável e nos sentimos longe do que um dia se chamou família.
A casa que a porta não fechava porque sempre tinha alguém chegando ou saindo, o grito do carteiro, o cheiro do doce de figo no natal, do bolinho de carne, único e insubstituível, as risadas que vinham de algum canto.
Hora da Ave Maria, que traz os avós, os tios, os primos, os pais, os irmãos, aqueles vizinhos que eram mais que parentes, que nos faziam sentir vivos e cheios de sonhos e esperanças.
Só fica a hora, tudo mais desaparece como a bruma , como a fumaça que se dissipa no ar.
Hora da Ave Maria, a hora da saudade do mundo que não existe mais, apenas na nossa memoria afetiva.
Lonjuras.
Gislaine Zago
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