sexta-feira, 20 de abril de 2018

Acordei hoje em estado de lonjura, acordei depois de uma noite agitada, de sonhos agitados e de uma mente preenchida de antigamentes.
Abri o computador e vi que aquele moço tinha postado muitas coisas, além do que é normal e ali descobri que seu ciclo mudou.
De repente, percebi que o meu ciclo também.
Não te quero mais, você não cabe mais em mim, quero alguém que fale minha língua, que pense em verde e amarelo, que goste de andar nas ruas de paralelepípedo que ainda possam existir.
Quero alguém que se emocione quando o outro sofre, que possa rir das coisas mais bobas, mas que tem significado.
Que goste de praia, de sol batendo no rosto, de imaginar os formatos nas nuvens, e de não ter medo de dizer que ama e que sofre.
Quero alguém que saiba respeitar meu tempo, meu silencio e minhas horas de carência,
Você não pode ser tudo isso, e nunca será.
Hoje eu entendi o que eu não quero para mim, não quero ficar sem um muito obrigada pelo livrinho bobo que mandei, uma palavra de força quando o meu mundo desaba ao meu redor, um beijo tímido quando minha dor for menor que a sua, mas mesmo assim você poder me olhar com carinho,
Quero respirar por inteiro e não ter que buscar o ar residual que preciso guardar para uma hora de urgência.
Hoje acordei em estado de lonjuras, lonjuras de afeto verdadeiro, de cheiro de terra molhada, de mãos dadas na rua, de cinema a tarde, de bala de cevada e amarelinha no chão da Caixa Econômica.
Hoje acordei e mudei o ciclo, mudei o rumo, mudei o prumo, mudei a sensação e os sentimentos.
Hoje tem um sabor de querer apenas o que me responde o olhar e o sentir.
Hoje tem sabor de mim mesma
Gislaine Zago.

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