domingo, 24 de novembro de 2019

Há tempos não escrevo, por falta de tempo, por falta de inspiração, por falta de vontade de saltar do precipício.
Assumir tantos afazeres, não conseguir cuidar tão bem da própria vida, me distanciaram desse meu lugar de escrever e colocar os sentimentos, as sensações, as dores e alegrias.
Tenho estado pelas estradas da vida e do aprender, tenho estado entre memorias afetivas e decisões, tenho estado entre as delicias da juventude e a seriedade da maturidade.
Olhar para o que pode ser, e ao mesmo tempo ter na retina o que foi antes , com muito tempo de passado.
Tem uma universidade, tem as ruas por onde andei, tem as lembranças daquele tempo guardado na alma, mas, tem o hoje, as mesmas ruas, com casas diferentes, tem o desejo de agora, de evoluir, de entender de novo, tem os passos dados ao longo do dia, tem o cansaço e tem a vida que segue.
Como é agradável, circular por entre o passado e o presente, com gosto de futuro.
Tem quem vai embora, porque é insolente, tem quem machuca porque acredita na sua própria certeza, tem quem aconchega, tem quem faz a critica que entristece, mas que pensa que pode, e tem as surpresas que acalentam o coração.
Aquele sorriso tímido, o gosto pela musica, pela arte, pela espiritualidade, e pelo olhar que tem medo.
Aquele chegar tão cauteloso, com delicadeza e serenidade
Sua visão do mundo, como se uma porta estivesse sendo aberta para aquilo não antes permitido.
Andar cauteloso, ritmado, assustado, por vezes, mas em frente.
Quando o novo se apresenta e não sabemos muito como lidar com ele, quando as surpresas nos dão vontade de um abraçar as possibilidades.
Vamos, andamos, seguimos, quem sabe.
Cabe a nós, se devemos ou não, cabe a nós se abrimos nossos encontros ou não, cabe somente a nós, temos a responsabilidade desse entender e ousar.
Dentro deste conteúdo acontecendo, respiro, lentamente e profundamente, para o que deve chegar.
Gislaine Zago

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