quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

 Só sei escrever o que vem de dentro da alma, que confunde as palavras, que não suavizam as emoções e muito menos são amáveis com os sentimentos. 

Falar do sentido da vida, dos passos apressados e que nunca chegaram ao destino certo. Falar do esforço nem sempre reconhecido, nem por mim, nem por outro, falar da saudade da infância, a minha e de meu filho. 

Só sei falar do ar que não chega inteiro, do olhar que perde o brilho, do medo que paralisa o sorriso. 

Nada foi, nada será? Perguntas. 

Existe uma possibilidade? 

Faltam respostas. 

O Papai Noel este ano está adormecido, assim como os sonhos, os desejos, os encontros, os abraços apertados, o choro acolhido. 

Não saber o que dizer, não saber como o amanhã entrará pela janela, não saber nem mesmo se o vento que sopra levará para longe o que não cabe mais. 

Lá se foi mais uma vez, mais uma etapa, um ciclo, um não retorno, um deixar para trás. 

Tem a chuva que faz barulho e abafa o choro, o soluçar, os sons da voz que fala do que parece sem rumo. 

A caixa de gratidão bem a minha frente, me lembra que tenho muito a agradecer, que ela me fez muitas vezes perceber que era grata por pequenas coisas que se tornavam imensas quando ali colocadas. 

Sinto sua falta, sinto a distância do caminho partilhado, do doce aroma da casa da praça.

Sinto que este momento não cabe mais nada em mim. Apenas a incerteza de ser. 

Gislaine Zago

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