quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Teve um casamento inesperado que me paralisou e me tirou aquela esperança da juventude, me tirou aquele beijo eleito o melhor do mundo, me tirou a possibilidade de estar junto nas viagens, cessou em mim a companhia do cinema, do jantar e carinho.
Teve também os namoros surpresas, aqueles que não se esperava, aqueles que estavam escondidos mesmo quando tivemos nossos encontros, mesmo quando saia das bocas palavras de elogios, de carinho, de desejos, de pontos em comum.
Teve também aquele volta com o ex amor, assim do nada, assim sem carta de aviso, sem nenhuma palavra dita ou escrita.
E aquele que se foi assim como chegou, sem dar noticia, sem deixar vestígios, sem telefone, sem email, sem carta, sem suspiros de despedida,
E o que se foi porque o Universo quis assim, levou para sempre, para o lugar de descanso, para que o sofrimento se acabasse e doeu muito, ficou muita tristeza.
Nem sei mais contar quantas vezes olhei para essas derrapadas da vida, com circuitos de um autódromo cheio de curvas, chuva, neblina, e muitos riscos,
E, assim, não tenho mais olhos para ver, nem ouvidos para ouvir o que chega pelo ar, pelo coração, pela intuição, por uma fresta rápida de luz que traz a tona a verdade.
Não pergunto mais, nem questiono, apenas tento fechar as portas e janelas para o que possa ser uma possibilidade, me retiro do eixo central, me suspendo do aqui e agora, me busco em algum lugar de sentimentos e que me cabe um pouco de paz, e de respirar.
Vai vida, caminha sobre as ondas e se deita em vales verdes, rompe as barreias do exato e grita em alto e bom som que está riscado no céu aquilo que foi desejado e buscado.
Cai o pano de fundo, cai a lona que cobre o palco e traduz em palavras vãs,
o amor que escorre por de cima da alma cansada,
Gislaine Zago,

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