Nada como viver a olhar os olhares que traduzem a memoria de um lugar , de uma rua, de um porto seguro, de você que seria o acalento no cansaço, o beijo na desordem, o abraço na dor.
Caí na realidade da hora, e desapareci na historia apressada que a vida me trouxe, nas escolhas distorcidas que fiz a mim mesma, e que assim sem nem mais e nem porque, tropecei nos entulhos que restaram das relações quebradas.E vi, corroída de cores, a pressa de restaurar essas dores e não conseguir sair no movimento necessário, paralisei diante do difícil, do não dito, do não chorado e que ficou cravado no corpo, tatuado nos olhos esverdeados.
O cansaço se abate e derruba uma longa e percorrida estrada que não chegou a lugar algum, com a culpa de não ter tido a habilidade suficiente, para manejar o que a vida trouxe e deixou aos meus cuidados. Fim de um tempo, fim de uma relação, fim de uma menina que só sabia querer e acreditar, essa menina hoje, habita outra dimensão e por vezes não acredita que foi possível.
Ninguém sabe a dor de não ser, de não ter, de não possibilitar.
Eu sei como foi , lutar uma luta desigual, que eu teria que ter tido a nítida percepção que não valeria a pena, não neste lugar, não para quem aqui está,
Tarde demais, tudo já foi, o amor, a dor, a pressa, o tempo, o dinheiro, o vazio, o avião, a viagem, o diploma, o beijo, o abraço, a despedida, o casamento, o adeus sem adeus,
Já aconteceu......
Gislaine Zago
Nenhum comentário:
Postar um comentário