quarta-feira, 14 de dezembro de 2016



Remexendo nos escritos encontrei esse texto que parece me cabe agora com um coração já cuidado e suturado delicadamente....
Nas estradas percorridas pelo tempo, organizo as escalas de valores, prioridades, afetos, sonhos, desafetos, indigestões por palavras, gastrites produzidas por atitudes e um coração quebrado, tentando se consertar, costurando com linhas delicadas e suaves os fragmentos amorosos.
Tento sutura-lo com a suavidade da brisa que embala a música, com instrumentos flexiveis e maleaveis como o som de uma voz cuidadora.
As mãos que o suturam precisa: ser mãos de generosidade, de aconchego, tolerancia, mansidão e felicidade, para que fique tatuado nele todos esses sentimentos maravilhosos e nutritivos.
Passeio entre os olhos que deixam vazar as aguas represadas pela saudades, solidão, lembranças
e momentos de plena alegria. Essas aguas transbordantes limpam a cor cinza que penetra na alma e tenta se instalar.
Pintar, colorir com as cores do arco-iris que insiste em surgir do nada para compor o horizonte.
São azuis, vermelhos, rosas, alaranjados, verdes abundantes, amarelos solares, todas permeando a face de quem busca a serenidade.
Ir para além do que se pode, desvendar os mistérios da vida secreta, da adolescencia rebelde, da madurez sofrida.
Buscar o possivel, tocar a clara cortina que nos separa do real e do imaginario, um tecido transparente, um fio tênue entre a sanidade e a loucura.
Que catarse caberia para o momento? Como romper com os trincos e fechaduras que aprisionam e paralisam?
Um grito cortante, um gesto fugidio, um suspiro de alivio.
Está pronta a catarse do ontem, a liberação das janelas e portas trancadas pelo medo e insegurança.
Agora viver. De uma forma plena e carregando o sabor do sol, a morenar a tez adoravel....

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