sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Enquanto o dia passa lento e dormido, levo meus pensamentos, sentimentos e sensações para um alguém de outro lugar, que não pode ou não quer se expressar de uma forma plena, verdadeira, amorosa, afetiva, que possa nos trazer um certo sossego no querer, e no agir,
Só queria alguma palavra ou algum gesto de decisão, de atitude que resgatasse um olhar de expressão, um abraço apertado, um beijo de ternura, um confirmar o sentimento, aquele jeito bom de se sentir querida e aguardada.
Como nada disso é possível, vou tateando, buscando, supondo, esperando, e tantos outros movimentos que tonalizem para mim essa forma de ser que sei um dia ainda terei comigo, percorrendo mares e vales, ruas e desertos, cores e formas, desejos e tristezas, carrossel e roda gigante, algodão doce e pimenta, mãos dadas e choro partido,
Quero tanto que até dói, a alma, o coração, o pensar, o gosto da boca, o toque na pele.tudo aquilo que me faz sentir você,
Sei que em você existe uma impossibilidade de falar do amor, de falar do sentir, de falar sobre o bem que se tem estando junto, uma defesa do que é afeto. Tento respeitar, tento não pedir, tento apenas te olhar e ler nas entrelinhas do que você me diz o que você de verdade espalha pela casa, pelo quarto de dormir, pelo corredor, até acabar em mim,
Da minha ansiedade chega a essência de você mesmo, o seu longo caminho percorrido por entre idas e vindas, desassossego interno, lutas com esse mundo que se construiu ao seu redor para te proteger de você mesmo,
De mim, só o carinho e a vontade de estar perto, de estar junto, de compartir o que tenho de mais intenso e forte, de estar com braços entrelaçados e bocas se juntando,
De mim, o encantamento do construir sem eiras nem beiras o esbarrar na próxima esquina,
Gislaine Zago

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