quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Garimpando escritos antigos, fotos de uma outra época, recados deixados ao acaso, cartas amareladas, sorrisos incompletos e convites errados, me vem que a vida é uma nau sem rumo, um vento sem direção.
Não sabemos mais quem é quem, se a verdade é dita, se o afeto é repleto de sinceridade, se o carinho que se carrega chegará até o final do dia,
Aquele dia se vai distante e causa uma lonjura do abraço que tinha significado, do beijo roubado na mureta da faculdade, daquela dança que marcou um momento, ou quem sabe aquele amor que ainda resiste ao tempo e a distancia.
Quantos violões tocados a beira da rua, simples, sem olhar que roupa se usava ou que status se possuía, apenas a alegria de ser jovem e alegre.
Você persiste e insiste em fazer parte de mim, qual parte não sei, mas sei que está em algum lugar aqui dentro deste meu mundo cheio de carnavais antigos, de confetes, de serpentinas, de viagens para a praia, de festa de 15 anos, de formaturas, de olhares apaixonados.
Você ainda faz parte daquelas minhas idas e vindas a lugares que só a mente encontra, que só a memoria da pele me leva, e desabo sobre o sofá cinza da sala e olho para o nada.
Queria ser tão elegante como a moça da foto, ter um cabelo tão brilhante como ela tem, ser chic e mais disciplinada com a vida.
Não sou assim, sou a mesma menina que dançava Ballet e usa camiseta com carinha de gatinhos, que adora um chinelo Havaiana e uma sandalinha rasteirinha, porque essa sou eu
Essa que arranha falar francês, que adora sol, que assiste cinema arte e ao mesmo tempo não perde House, essa mesma que come um pão com ovo e  adora um restaurante mais chic.
Essa,
que tem fotos e cartas guardadas e carinhos expostos porque tem a sensibilidade latejante do que é amor,
Essa que não se importa em amar e amar e amar.
Essa mesma, que voce conhece tanto e tão bem, ou será que não?
Pode ser;
Gislaine Zago,

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