sábado, 12 de novembro de 2016

E sozinha caminho.
Entre pedras, dores, beirais, janelas compostas de luas e asfalto de vãos.
E vou, levando na bolsa a facilidade do partir, a neutralidade do não querer, a substância amarga de um apenas assim que destrói o que não foi.
E quando menos espero choro.
E quando menos penso, choro.
E quando menos sinto, adormeço.
E passo os dias e as noites imaginando as possibilidades de ser um ser.
Mastigo o doce fel da indiferença vestida de chocolate.
Eu sigo, sem rumo, sem prumo,sem prazo.
E quando olho, vejo apenas o que eu mesma acreditei que seria.
Me desfaço de mim mesma na próxima esquina da vida

Gislaine Zago

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