sexta-feira, 22 de julho de 2016

Diante da vida, suspirei alto e com olhos profundos te busquei. Nada existia,
O ar pesado e frio me fez contemplar a escuridão que chegava não sei de onde e permanecia nas escadas longas da casa antiga.
Busquei na memoria, imagens do tempo em que poderia olhar a paisagem de outros mundos, de outras línguas, de outros sentimentos, derramados imensos e lentamente na retina do amor,
Reconduzida para as montanhas, vales e mares, parte em cacos a historia existida.
Onde foi que nos perdemos ? Onde deixamos a sinceridade, a certeza do dia, os olhos iluminados e o sorriso aberto ?
Percorro na memória, ruas estreitas da minha velha e amada Barcelona.
Caminho por entre mulheres e homens elegantes na romântica e maravilhosa Paris.
Me emociono com cada esquina da minha Itália, onde minhas células pairam no ar e minha voz tem lugar.
Sento-me em um café de Veneza, e deixo que os pensamentos caminhem pelo Grande Canal, entrecortado de barcos e enamorados.
E lá, daquele solarium da Toscana, uma sensação de que nada tem fim, de que nada acaba, que tudo surge e permanece no verde e imenso campo,
Me reconheço , nas cores, nas ruas, nas artes, na fala do garçon, na avenida movimentada e louca desta Roma controversa e bela.
As canções falam de amor, a vida perpassa a solidão, e o choro no café do ultimo andar do El Corte Inglês, traz a menina perdida e desamparada, que ali busca sua identidade própria, suas raízes, seu lugar na vida.
Vielas, gente que conta casos, praças que trazem historia,
O porto que já foi velho e mundano, hoje mostra vida nova  e gente do bem,
Nesta viagem, me ocupo de restaurar como uma pintura antiga, meu mundo interno, repleto de desejos, sonhos, amanheceres, anoiteceres, e lindos bailados.
Tento juntar as peças, os desenhos, e formar de novo a vida que segue sem pedir licença;
Gislaine Zago                                                                 2013

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