sexta-feira, 3 de junho de 2016

Hoje assim sem querer, fiquei a pensar na minha meninice.
Nos lugares secretos do meu coração onde fui guardando pouco a pouco as minhas emoções , meus sentimentos, minhas sensações.
Fui vasculhando esse baú de segredos, imagens, rostos, sorrisos, choros, bailes, amores, paixões, festas, danças, musicas.
Nossa, quanta coisa juntada nesses anos todos, quantos mistérios não desvendados, quantas perguntas não respondidas.
Alguns nomes lá marcados, já não me lembro quem foi.
Outros carrego com todo cuidado para não se desfazerem no tempo.
Alguns rostos me são estranhos, outros os recordo profundamente, como se jamais tivessem se apartado de mim.
Existem ainda os que se foram desse plano e que tanto bem tenho ainda por eles, mas que não posso mais tocar , falar ou abraçar.
Estes tem um lugarzinho muito especial nesse quarto de memorias,
Me lembro como era entrar na casa do vizinho sem bater na porta, porque a mesma ficava destrancada e isso não era mal educado.
Me lembro das brincadeiras na rua, os pés chegando em casa sujos, porque se podia tirar os sapatos.
Quantas lembranças rondam meu ser.
Esse ser hoje crescido, amadurecido ( algumas vezes na estufa pela urgência), sofrido, alegre.
Sou hoje essa mulher que ainda acredita no amor, na generosidade, na paixão que vê brilho nos olhos e serenidade no coração.
Sou essa mulher que canta as melodias de ontem e de hoje, sem que isso me pareça estranho.
Sou essa mulher que planto e colho amigos de todas as idades e lugares do mundo, e tenho , ah como tenho, o cuidado de cuidar de cada um com um abraço, um recado, um silencio no momento certo, um alo estou aqui.
Eu, revestida do feminino que as vezes foge de mim porque preciso ser mais forte, mais razão, mais segura.
Enfim, da minha meninice ficarão as memorias afetivas que hoje transformo nas colheitas que nutrem a minha vida para que eu nunca morra de fome.

Gislaine Zago

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