Sentada em um café, com uma xícara fumegando a minha frente e um croissant pedindo para ser devorado, imagino que estou em algum boulevard de Paris, e olho para a agitação de quem busca alguma coisa pela vida.
O que será que cada um carrega em seu coração ? Que peso tem a sua alma? Quais são seus desejos secretos ou não ?
Todos parecem ter pressa, menos eu, que posso só olhar e pensar.
Será mesmo que tenho que aprender a ser só? Que é maduro viver a solidão e acha-la confortante ?
Não sei, ou melhor sei sim. Eu não quero aprender ser só e gostar disso.
Não quero mais a pressa da vida, o ar entrecortado pela ansiedade, a falta de tempo para amar.
Hoje enxergo a vida mais com o coração que com os olhos. A vida quis assim, aguçar os outros sentidos além daquilo que se vê
Estes que caminham apressados e passam por mim, não vêem além dos seus sapatos, das suas mãos ou de seus celulares. Não respiram além do que se deve e nem ousam além do que conhecem.
Qual o sentido de não ousar ? Qual o sentido de não ultrapassar o medo ? O medo que paralisa, o medo que impede de descobrir algo novo e que talvez nos faça romper com a nossa zona de conforto.
O café já acabou, o croissant já foi devorado, mas ainda posso ficar a observar a dinâmica do lado de fora e pensar na minha roda da vida.
Não quero o óbvio, este já me teve muitas vezes, não quero o perfeito, este não existe, não quero a longa espera, o instante é ontem.
E penso na frase : que medo te impede de realizar seu sonho ?
Quem sabe eu possa responder depois de outro café.....
Gislaine Zago.

Nenhum comentário:
Postar um comentário