domingo, 4 de setembro de 2016

Desfiladeiros serpenteados por nuvens, abrigam os caminhos e os pensamentos que jorram intensamente de mim, carregando cestas de inutilidades sentimentais e afetivas.
As horas não passam e você também não,  se estocou em algum ponto da sua vida onde não se penetra, nem se aquieta a alma.
As corredeiras com uma força imensa tentam me indicar algum sinal de destino, de sentido, de premonição , mas não consigo traduzir e me perco.
As vezes o andar sozinha causa um desafeto de palavras que não se sabe de verdade como ali foram parar, correram do tempo, das dores de amores, dos risos soltos e depois amarrados pelo desatino do dia.
Quantas muralhas de pedras soltas pelo imenso abismo ainda fazem repercutir o som abafado da queda.
Uma ponta de possibilidade, de catarse, de suspiros entrecortados, de mãos desatadas, e de casas desocupadas, 
Perdi tantas coisas amorosas, perdi as cores dos ipês floridos, perdi o sol a bater na beira da cama, perdi o canto do sabiá , as serenatas na janela, a via láctea no céu escuro naquele pedaço de terra da juventude, o brilho de Vênus pertinho da lua, e o cheiro do jasmim.
Um aperto no peito, um coração cansado, um ar pesado de querer e não poder, 
A paralisia da tristeza que só serve para adoecer a paz,
Entender o que restou e revolver a terra para o novo plantio e quem sabe uma nova florada, um novo amadurecer de cores.
Cobrir de novo com o vento leve, o rosto que aguarda a chegança do beijo, 
Gislaine Zago.

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