quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Eu morava na praça, ao lado do correio, da caixa econômica, da radio clube que depois virou banco do Brasil, do ladinho do Clube XV, do Centrão, do bar do edifício.
A praça onde tudo acontecia, as paqueras, os namoros, os encontros com os amigos, as rodas de violão, os bailes, os encantos de um cidade do interior,
Me lembro que ficava no portão de casa esperando o carteiro passar para saber se alguma carta para mim tinha chegado, ele as vezes sorria e dizia: hoje o namorado não escreveu rsrsrsr.
Saber esperar era um exercício,as vezes difícil, mas que trazia o gosto da esperança, do sonho, da fantasia, tudo que poderia crescer como uma solida e amável serenidade.
Como era bom se sentar na calçada e conversar sobre a vida, levar a vitrolinha portátil e ouvir musica com os amigos, sem pensar que aquilo poderia ser cafona, bobo, ou sei lá o que, era bom e pronto,
E, como era fascinante os bailinhos, os olhares trocados, o convite para dançar, guardar na memoria a musica que estava tocando naquele dia e naquela hora, ahhhh, essa memoria afetiva que tem dias que nos toma conta e nos leva a lugares tão desejados, tão vivenciados e que fazem parte desta grande historia de vida.
Como escolher com quem dançar a valsa no aniversario de 15 anos, no baile de debutantes, no baile de formatura ? Como saber que rumo tomar quando o primeiro namoro não deu certo? Ou quando sua paixão começa namorar sua amiga,? Colocar na vitrola o disco preferido e chorar até a próxima  festa  e esquecer.
Os carnavais enfeitados de turmas, de blocos, de sorrisos, de musicas cantadas com a felicidade da hora, e sem ter porque terminar
Ao fim do baile, a orquestra descia para tocar na praça e depois a sopa de cebola, o sol nascer e poder chegar em casa com o dia claro sem que isso fosse um risco.
A casa da praça foi palco de tantos amigos, de tantas festas, de tantas reuniões, de portas que não se trancavam, de janelas sempre abertas, de chaves guardadas no relógio de força, de serenatas de madrugada, de tantos amores partidos.
A casa da praça, onde todos eram juntos, onde a vida seguia livre, onde o amor era essencial, e o afeto cobria os colos onde deitávamos,
A casa da praça rodeada de lembranças, de saudades, de vidas que se foram , de cheganças que ficaram para sempre,
A casa da praça;
Gislaine Zago.


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